segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A Maior Mulher do Mundo

Maior calcinha do mundo ajuda a divulgar feira de lingerie. A Fevest (Feira de Lingerie de Nova Friburgo) decidiu chamar a atenção dos consumidores com uma lingerie nada discreta: uma calcinha gigante de 12 metros de largura por 9,5 metros de altura. Ela foi pendurada no centro de Nova Friburgo para divulgar o trabalho do pólo de moda íntima da região. Folha Online, 10.08.2005
Na rodinha de bar, a foto da calcinha gigante fez o maior sucesso. Isso é o sonho de qualquer fetichista, dizia um dos amigos, e outro perguntava:
- Vocês já pensaram quantos dólares dá para levar numa calcinha dessas? Esta vai ser a calcinha do "mensalão"!
Só Márcio mantinha-se em silêncio. Porque a calcinha mobilizava nele uma fantasia que o acompanhava desde a infância.
A Maior Mulher do Mundo.
Só a Maior Mulher do Mundo poderia usar uma calcinha daquelas. E que mulherão seria a Maior Mulher do Mundo! Suas dimensões explodiriam todos os padrões convencionais de beleza feminina. Para começar, seu corpo não seria apenas um corpo, seria um território que ele exploraria vagarosamente, com o deslumbramento de um astronauta chegando a um planeta desconhecido (e belíssimo). Percorreria o vale entre as coxas, caminharia pela enorme planície do ventre, chegaria aos seios suaves -colinas que ele escalaria até chegar ao ápice tão desejado, os delicados mamilos.
A Maior Mulher do Mundo seria uma grande amante, uma fêmea estuante de desejo. Com esta fêmea ele faria amor, entregando-se por completo ao ato, transformando-se, graças à sua pequena estatura (sim, Márcio era baixinho), no equivalente humano de um "dildo", de um objeto fálico, de um vibrador animado, não por pilhas comuns, mas por seu incontido desejo. Muito aplicado, faria com que ela chegasse ao orgasmo repetidamente, cada orgasmo equivalendo a um tremor de terra de sete e meio graus na escala Richter. A Maior Mulher do Mundo retribuiria sua paixão; não apenas o amaria, como o protegeria, brincaria com ele como se fosse um bonequinho. Aninhado em sua basta cabeleira, ele parafrasearia Napoleão chegando ao cume da pirâmide do Egito: "Do alto desta Mulher, séculos de paixão vos contemplam".
Os amigos notaram o arrebatamento dele, debocharam: bem que você gostaria de estar dentro daquela calcinha, Márcio. Ele respondeu com um sorriso amarelo, levantou-se, e foi para casa.
Onde encontrou sua mulher. Que não era a Maior Mulher do Mundo: tinha um metro e sessenta de altura. Mas era gordinha, comia bastante, e naquele momento estava fazendo exatamente isso, traçando um enorme prato de arroz, feijão e carne gordurosa.
- Isso mesmo -ele disse-, continue comendo desse jeito. Sabe o que você vai virar daqui a alguns tempos? Sabe? Você vai virar a maior mulher do mundo. Isso mesmo: a maior mulher do mundo.
E, tendo-se vingado da vida que não realizava seus sonhos, foi para o quarto dormir.
Folha de São Paulo (São Paulo) 15/08/2005

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